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DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
A direção de fotografia sempre foi, entre todas as funções que exerço no cinema, aquela onde encontro maior identificação, entrega e sentido. Ainda que eu transite por diferentes áreas — direção, montagem, roteiro — é no ofício de pensar luz, enquadramento e ritmo visual que me sinto mais inteiro. Não apenas por afinidade estética, mas porque acredito que a imagem é uma linguagem que fala silenciosamente, um campo onde o invisível pode ganhar forma.
A minha formação em artes plásticas e teatro não foi apenas uma etapa, mas um alicerce para este ofício. Essas linguagens me ensinaram a olhar de outro jeito — a escutar os vazios, a perceber o tempo nos gestos, a entender o corpo no espaço. Esses saberes, quando se encontram com a técnica cinematográfica, criam um tipo de olhar que não se restringe a iluminar ou registrar, mas a compor atmosferas, tensões e afetos. Isso, acredito, é o meu diferencial como diretor de fotografia: uma escuta plástica e cênica que se soma ao domínio técnico para construir imagens com densidade narrativa.
Não penso a direção de fotografia como uma função isolada, e sim como uma prática coletiva. Sou um profissional que preza pelo diálogo constante com todos os departamentos. Entendo profundamente a importância de cada função no set e valorizo essas trocas como partes essenciais da criação. Acredito que a colaboração verdadeira acontece quando há escuta mútua, respeito e disponibilidade para construir junto. E é nesse espírito que gosto de trabalhar: com leveza, responsabilidade e abertura.
Costumo ser muito presente nas trocas com a direção. Gosto de pensar o projeto desde sua origem, contribuindo com leituras visuais, referências e possibilidades estéticas. Tenho uma ampla bagagem cinematográfica — alimentada por anos de estudo, obsessão por filmografias inteiras e amor sincero pela história do cinema. Isso me permite transitar por diferentes estilos, entendendo que cada filme pede uma lógica própria de imagem, um modo singular de olhar.
Sou também uma pessoa muito organizada no trabalho. Acredito que a tranquilidade no set vem da preparação, do planejamento e da confiança mútua entre a equipe. Estudar lentes, testar luzes, fazer decupagens visuais detalhadas — tudo isso me encanta tanto quanto o momento vivo da filmagem. A técnica, para mim, é uma aliada da sensibilidade: conhecer profundamente o equipamento não é um fim, mas um meio para alcançar a imagem que se deseja, com precisão e poesia.
Vejo a direção de fotografia como um campo onde posso reunir tudo o que amo: a arte, o rigor, o coletivo, a escuta e o gesto. Meu desejo é seguir contribuindo com projetos que me desafiem, onde eu possa entregar imagens que não apenas componham a cena, mas que façam parte da pulsação interna do filme. Imagens que comuniquem o que não se pode dizer — e que sejam, antes de tudo, fiéis à verdade sensível de cada história.

















